Por: Redação / Web Amazônia
31/10/2010 às 13h24 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Marcos Santos
Nenhuma informação oficial é fornecida pela titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), Alba Valéria, sobre as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), suspensas há vários meses em Santarém. Questionada por este blog na manhã da última segunda-feira (25), quando se fazia presente à inauguração do novo pronto socorro municipal, sobre o reinício dos serviços nos bairros do Uruará e Mapiri, a titular da Seminf disse insipidamente que não havia nenhuma previsão para ambos os projetos, que já absorveram dos cofres públicos uma soma astronômica em verbas federais, sem que os empreendimentos estivessem perto de serem concluídos ou pelo menos em fase bastante adiantada.
Não estão. No Uruará, por exemplo, as casas encontram-se inacabadas e certamente precisarão ser refeitas, pois a estrutura física das moradias apresenta várias rachaduras. Além disso, cansados de esperar pelo governo, algumas famílias tomaram posse dos imóveis e desde o dia 11 de setembro estão abrigadas precariamente naquele conjunto habitacional irregular. A Prefeitura espera por um aditivo de R$ 7 milhões para repassar à construtora Mello de Azevedo e assim exigir que a obra seja retomada.
No bairro do Mapiri, a obra de construção de uma passarela que ligará o bairro à praia do Maracanã está parada há muito tempo. No local, o clima de abandono é predominante. Os moradores reclamam da poeira que é constante, da presença de marginais nos arredores da estrutura da ponte, que já está se deteriorando. A empresa responsável pelo serviço também é a Mello de Azevedo, construtora citada no relatório da Controladoria Geral da União (CGU), divulgado no mês de julho, como contratada pela Prefeitura através de aditivo de contrato firmado antes de 2008, o que não poderia ter sido feito, segundo comprovaram os auditores do órgão fiscalizador.
Na manhã da última quarta-feira (27), o QP, por meio de ligação telefônica, contatou com a assessoria de imprensa da Seminf e solicitou as informações sobre as obras do PAC. Porém, não houve resposta à nossa solicitação.
Obras do Mapiri preocupam moradores do bairro
Segundo apurou a reportagem do QP, a passarela do bairro do Mapiri começou a ser construída no mês de outubro de 2008 e fazia parte do serviço que incluía também a construção da rede de drenagem profunda nas avenidas Borges Leal e São Sebastião, tocado pela construtora Mello de Azevedo, que recebe dinheiro apenas para começar obras e deixá-las inacabadas.
Dois anos depois, os trabalhos permanecem suspensos e causando preocupação aos moradores, que temem que o dinheiro público se perca com a depredação daquele patrimônio público, que está abandonado. Os recursos para o projeto do Mapiri também são oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Atualmente, a estrutura, segundo informações dos moradores, é usada como depósito de lixo e esconderijo de bandidos e viciados. Nota-se que a passarela foi, supostamente, construída com materiais sem qualidade, já que sua estrutura apresenta fissuras. “Nunca mais apareceu ninguém do governo para dar uma explicação sobre essa obra, que deveria beneficiar os moradores e agora está causando prejuízos, pois a poeira que invade nossas casas vem desse pó do material usado para compactar essa área”, diz a doméstica Maria Elenice.
A Prefeitura de Santarém recebeu R$ 45,94 milhões dos cofres públicos, através do PAC, para executar as obras nos bairros do Mapiri e Uruará.
Passados dois anos, é possível perceber que nessas duas áreas, as obras não chegaram à metade do que prevê o projeto original. Por causa da inoperância do governo municipal, Santarém tornou-se um imenso canteiro de obras inacabadas que subtraíram milhões dos cofres públicos.
O PAC destinou recursos para projetos de saneamento integrado em assentamentos precários nos bairros do Mapiri e Uruará. Se concluídos dentro dos prazos previstos, as obras certamente contribuiriam para melhorar a qualidade de vida de centenas de pessoas, que vivem à margem da miséria e esquecidas pelo Poder Executivo.
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