06/11/2010 às 11h09Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Marcos Santos
No último domingo, a reportagem do QP percorreu o trecho compreendido entre a antiga praia da Vera Paz até o terminal precário que funciona nas proximidades da Praça Tiradentes. O que constatamos foi algo estarrecedor e preocupante. Toneladas de lixo estão por todos os lados, causando impactos ambientais irreversíveis à orla fluvial, que há anos sofre com a depredação humana. A seca deste ano promete ser a pior já registrada no município nos últimos anos e, nos próximos dias, o rio Tapajós deve secar ainda mais, conforme as previsões de especialistas. Mais lixo deve vir por aí.
Por causa da estiagem, as praias também começaram a surgir, porém, sem o mesmo encanto de épocas passadas quando esses locais ainda eram apropriados para o banho e convidavam para um mergulho nas águas limpas e cristalinas. Hoje, isso não é mais possível. As praias que se estendem pela orla de Santarém estão, possivelmente, contaminadas por coliformes fecais dos resíduos que deságuam dos esgotos, e também pelo lixo. É impressionante o que se encontra sobre a areia e também debaixo dela, neste período de seca: latas, garrafas pet, embalagens de papel e plástico, pneus, madeira, peças de motos e carros, peixes mortos, cascas de frutas e verduras, mato e uma série de outros objetos que transformam o local num imenso lixão a céu aberto.
São materiais que durante a maior parte do ano ficam submersos, vindo à tona somente na vazante dos rios. Vale ressaltar que a maioria desses objetos ‘estranhos’ é nociva ao meio ambiente. Outro detalhe importante a ser observado é que os maiores poluidores dos rios são os passageiros, comandantes e funcionários das embarcações, que ancoram ao longo da orla. Todo o lixo produzido no interior dos barcos é despejado diretamente nas águas do rio Tapajós.
Já é uma tradição do caboclo Amazônico achar que os rios servem de depósitos para todo tipo de impureza. Mas eles não podem ser considerados os únicos culpados pelos danos ao meio ambiente. Há nos rios da região muitos ‘itens importados’ também. É o que se percebe quando constatamos embalagens de produtos com marcas de outros países. Um estudo recente feito pela ONG Global Garbage (Lixo Global), mostra que parte desses materiais é proveniente dos navios cargueiros que aportam em terras brasileiras. O litoral brasileiro, aliás, recebe toneladas de lixo anualmente trazidas pelos estrangeiros.
Percorrendo as praias em frente a cidade é possível notar a grande quantidade de lixo por todos os lados. Os locais que antes serviam de porto para pequenas embarcações, hoje estão tomados por lama e mato. A vegetação rasteira predomina e decora as carcaças de embarcações abandonadas na areia. A paisagem natural sofreu sérias mutações e pequenos lagos de lodo se proliferam por toda parte. Não há vida marítima nessas nascentes. O mau cheiro que exala desses ambientes também é insuportável e atrai ratos e urubus. O cenário, que outrora inspirou poetas e servia de ambiente de lazer para a família santarena, está em situação deplorável, esquecido e abandonado pelas autoridades públicas municipais e entidades ligadas ao meio ambiente.
O trecho mais crítico está localizado entre a Vera Paz e o Mercadão 2000. Há inúmeros pontos de concentração de lixo. Neste local dá pra se ter uma noção ampla do estrago que o lixo causa à praia.
Com o nível do rio abaixo da média, os donos de barcos tiveram que levar suas embarcações para áreas mais distantes do cais. Atualmente todos estão ancorados nos extensos lençóis de areia que surgiram na orla fluvial. Infelizmente, nestes locais, pequenos entulhos de lixo doméstico são enterrados em buracos na própria areia ou atirados diretamente nas águas do Tapajós. É impressionante a falta de noção das pessoas. Mais impressionante ainda é o fato de que nenhum órgão do município busca realizar fiscalização ou uma campanha educativa junto a essas pessoas, que vêm do interior e trazem junto seus hábitos cada vez mais danosos ao meio ambiente.
O lixo provoca danos irreparáveis às praias, altera a qualidade da água dos rios e influencia diretamente na vida aquática, uma vez que os peixes se alimentam desses 'produtos' e acabam por morrer sufocados.
A maioria dos resíduos sólidos encontrados sobre as areias das praias é proveniente dos barcos de viagens, mas os frequentadores também deixam sua contribuição, quando não recolhem seus lixos.
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