Por: Redação / Web Amazônia
14/11/2010 às 10h25 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Nos últimos anos, a Prefeitura de Santarém tem usado de um artifício bastante comum em administrações inoperantes pelo país a fora: começar várias frentes de serviços ao mesmo tempo e não concluí-las conforme o cronograma previsto, mas deixando a falsa impressão de que o Poder Público está presente em toda cidade. A estratégia já não é tão convincente assim, pois o povo passou a duvidar da transparência administrativa do governo da prefeita Maria do Carmo. Com a imagem desgastada e prejudicada pelo resultado da última eleição, a gestora municipal tenta encontrar uma maneira de reverter este cenário extremamente desfavorável aos seus interesses políticos. A saída é tentar concluir as inúmeras obras inacabadas, espalhadas pela cidade.
Outro método encontrado pelo governo foi colocar asfalto novo em algumas das principais ruas do centro de Santarém. Ela fez isso com as avenidas Barão do Rio Branco, Ruy Barbosa e São Sebastião. Percebe-se que não houve nenhum cuidado técnico do pessoal da PMS em preparar essas vias para receber um novo recapeamento. Simplesmente colocaram uma nova camada de asfalto à antiga. Um trabalho necessário, porém, de qualidade e fins duvidosos.
O dinheiro público abarrotou os cofres municipais em grandes quantidades nos últimos anos, porém, não foi devidamente aplicado e o resultado todo mundo já conhece: ruas inacabadas e mal feitas. Algumas dessas obras compõem o relatório da Controladoria Geral da União (CGU), que apontou inúmeras falhas nesses empreendimentos públicos, principalmente aqueles executados com verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O volume de recursos recebidos pela Prefeitura impressiona. Foram mais de R$ 45 milhões e todas as obras permanecem paralisadas, esperando por mais dinheiro. É o caso das casas do Uruará e a passarela do Mapiri.
PMS toca obras que já deveriam ter sido concluídas
Na última quarta-feira (10), um ano e 36 dias depois, a Prefeitura de Santarém deu início à pavimentação da avenida Tancredo Neves, no trecho compreendido entre a avenida Sérgio Henn e a rodovia Santarém/Cuiabá, no bairro da Nova República. Os trabalhos estão concentrados no trecho entre a avenida Rouxinol e a rua Everaldo Martins. A obra passou um longo período parada até que esta semana, a empresa Estacon Engenharia S.A., enfim, passou à fase de recapeamento asfáltico. Os serviços tiveram início no ano passado, exatamente no dia 5 de outubro e seu término estava previsto para o dia 3 de abril deste ano. A obra está orçada em R$ 1.521.040.46 provenientes de recursos do Governo Federal, através do Ministério da Integração Social. Para esta via estão previstos serviços de terraplanagem, drenagem profunda, pavimentação asfáltica e recapeamento.
O governo afirma que essas obras estão sendo feitas para evitar problemas de alagamentos que ocorrem durante o período de chuvas, porém, não esclarece o motivo pelo qual se levou tanto tempo para concluí-las dentro do tempo estipulado.
Situação semelhante à da avenida Tancredo Neves passa a rua Frei José Bonifácio, no bairro da Interventoria. Lá, os trabalhos começaram no dia 5 de outubro de 2009 e o prazo de conclusão era de 180 dias. E lá se vão mais de um ano e nada de aquela via ficar pronta.
Os investimentos para os serviços de drenagem profunda, terraplanagem e pavimentação estão orçados em exatos R$ 659.395.40. A empresa Estacon Engenharia também é a responsável por este empreendimento, que está parado há vários meses.
Outro exemplo de descaso com o dinheiro público e desrespeito com o cidadão pode ser constatado na avenida Magnólia. A Prefeitura recebeu R$ 275.602.74 para realizar drenagem e pavimentação. Os serviços não foram concluídos.
MS
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.