20/11/2010 às 09h52Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
E lá se vão mais de dois meses desde que a secretária de Infraestrutura, Alba Valéria, prometeu que as obras de construção das casas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), na área do porto dos Milagres, no bairro do Uruará, seriam retomadas. As famílias residem precariamente nos imóveis desde o último dia 11 de setembro e até hoje ninguém da Seminf ou da Prefeitura apareceu por lá para informar quando, de fato, os serviços serão reiniciados. Para os moradores, o silêncio do governo é o prenúncio de que dificilmente os trabalhos serão reiniciados ainda este ano. Quando as casas foram ocupadas, imediatamente o comitê gestor do PAC se reuniu para tratar da situação das pessoas que estavam irregularmente residindo nos imóveis inacabados. Muito se prometeu, mas nada foi feito em favor daquelas famílias, que vivem em condição deprimente desde então.
Naquela ocasião, foi informado que até o dia 6 de outubro a construtora Mello de Azevedo retornaria para concluir o empreendimento público, que está suspenso há vários meses por falta de verba. A empresa exige mais R$ 7 milhões para voltar à área e retomar o serviço mal feito. As casas foram erguidas em alvenaria, porém, toda sua estrutura física está seriamente comprometida, pois há inúmeras rachaduras que atestam a péssima qualidade da obra.
No local, ainda há muito a ser feito, sobretudo na parte de saneamento básico e implantação da rede de energia elétrica, além da pavimentação que também está incluída no projeto original. “Será preciso mais dois anos para que eles concluam este serviço. Você percebe que as casas precisam ser refeitas, pois elas não oferecem segurança”, disse o morador Albertinho, um dos ocupantes dos imóveis.
Apesar do risco que correm por residirem num ambiente sem nenhum tipo de proteção, as famílias afirmam que não tem para onde ir, pois a Prefeitura também deixou de pagar seus aluguéis. “Há muito tempo que o governo abandou essas pessoas aqui. Tudo o que eles falam quando citam nossa situação aqui é mentira”, disse o morador.
160 famílias estão cadastradas no programa. Elas esperam ansiosas pelo dia em que, enfim, receberão suas casas e passarão a viver com mais dignidade. Mas enquanto isso não acontece, elas vão sobrevivendo de forma precária e humilhante.
Do projeto inicial, apenas a parte de aterro e a estrutura dos imóveis foram feitas. Ainda há muito a ser feito para que enfim, a obra seja concluída. Desde quando foram abandonadas pela construtora Mello de Azevedo, as casas foram depredadas e os vândalos saquearam caixas d’água e telhas, além de terem usado os imóveis também como esconderijo, motel e ponto de consumo de drogas.
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