20/11/2010 às 10h21Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Comer carne em Santarém tem sido privilégio de poucos nos últimos meses. O motivo é o acréscimo de quase 50% no preço do produto vendido nos açougues e supermercados da cidade. Vários fatores são apontados como os prováveis causadores desse aumento exorbitante, que tem causado a reclamação generalizada dos consumidores.
Mas os comerciantes também se queixam e dizem que o mercado local corre o risco de ficar sem carne pelos próximos dias, pois falta gado para o abate no município. Já há carência do produto em alguns estabelecimentos, pois os marchantes também estão encontrando dificuldades para conseguir gado por um preço mais acessível. O Brasil é maior exportador de carne bovina do mundo. Nos últimos cinco anos, o preço da arroba do boi gordo triplicou no mercado internacional, provocando o reajuste no mercado interno.
Conforme levantamento feito esta semana, há dois meses era possível comprar um quilo de agulha por R$ 5,50. Hoje, ele está custando R$ 7,00. Em várias consultas feitas constatamos reajuste de até 50%. Veja alguns exemplos: o quilo do peito era comercializado em setembro na maioria dos açougues da cidade por R$ 5,00. Agora não sai por menos de R$ 6,50. A alcatra que antes era vendida por R$ 9,50, está saindo para o consumidor por R$ 12. Já o quilo do filé subiu de R$ 11 para R$ 17.
A pesquisa foi feita em estabelecimentos localizados em vários pontos da cidade e em todos eles, os proprietários atribuíram o aumento à carência de gado em Santarém para ser abatido pelos frigoríficos. “Há mais de dois meses que o produto chega mais caro às mesas do consumidor, porque nós estamos recebendo o produto com o preço bastante elevado. As informações que nos repassam é que não tem gado no município”, informou o comerciante Josias Ribeiro, proprietário de um açougue no bairro do Aeroporto Velho.
Sobre a possibilidade de faltar carne em Santarém, um criador de gado ligado ao Sindicato Rural consultado pela reportagem descartou essa possibilidade. “Há exagero por parte de quem não convive diretamente com o mercado especulado”, contou. Na cidade existem mais de 300 açougues.
Conforme explicações de marchantes, açougueiros e donos de frigoríficos, talvez o principal fator para o aumento do preço da carne em Santarém seja a exportação do gado que abastece o mercado local para outros centros do país. Segundo Hélio Coimbra, do Frigosan (Frigorífico Santarém), a carne que é comercializada no município vem das cidades de Rurópolis, Placas e Uruará, que também fornecem o produto para outras regiões.
Por mês, só em seu frigorífico, são abatidas 1200 reses, quantidade que não é suficiente para atender a demanda local. Hélio Coimbra lembra que no município não há animais suficientes para abastecer os frigoríficos, que por sua vez são obrigados a importar o produto para atender sua clientela. “Itaituba também mandava gado para cá, mas agora centrou suas exportações para Manaus, por exemplo, que é um grande centro consumidor”, disse.
Um detalhe observador por ele é o fato de que boa parte do gado que existe em Santarém, ou que vem para cá, é levada para Altamira e de lá segue para as regiões do Sul do país. “A gente acaba pagando caro para ter o produto nos frigoríficos e por conta disso, os preços se elevam, causando consequentemente o aumento para o consumidor final”, explicou Hélio, lembrando ainda que os custos operacionais com funcionários, transportes, energia, impostos e outros insumos. “Santarém nunca foi auto-suficiente, por isso recorremos aos produtores de fora da região.
Um produtor informou que várias carretas saem toda semana do município carregadas de bezerros. Esses animais, segundo ele, vão abastecer o mercado asiático. Ele revelou ainda que alguns produtores venderam muitas vacas e agora enfrentam dificuldades para manter a produção em alta. “A exportação é livre. Não podemos impedir ninguém de comercializar seu produto pelo preço que achar melhor. A concorrência é muito grande”, disse.
Por conta dessa concorrência e pela exportação em massa do gado paraense para outros centros, os frigoríficos acabam elevando o preço da arroba da carne para os atravessadores.
Marcos Santos
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