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Educação Patrimonial forma cidadãos em Juruti

Educação Patrimonial forma cidadãos em Juruti

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
22/12/2010 às 20h53 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Educação Patrimonial forma cidadãos em Juruti
Cerca de 2.500 crianças do Município de Juruti conhecem os conceitos de educação patrimonial. Elas tiveram a oportunidade de freqüentar as atividades do Espaço da Ciência e participaram do projeto “Navegar pelo Saber” desenvolvido pela Scientia Consultoria Científica na região. O projeto integra ações do Programa de Educação Patrimonial dos Planos de Controle Ambiental da Alcoa, que possui empreendimento de mineração de bauxita em Juruti. O número de crianças beneficiadas representa quase 20% da população de jovens de até 13 anos de idade na sede do município.

Desde Setembro de 2007, quando o Programa de Educação Patrimonial foi instalado em Juruti, professores, crianças, jovens e ceramistas da zona rural e urbana do município fazem parte de atividades de capacitação e geração de renda. O Programa promove cursos e desenvolve dois grandes projetos: “Navegar Pelo Saber” e “Memórias de Ruas”,, além da capacitação de educadores e de artistas locais.

A arqueóloga Lilian Panachuk, coordenadora do Programa, explica que as ações são fruto de pesquisas que a Scientia realizou na região. “A educação patrimonial é aplicada hoje em vários projetos que envolvem o solo de Juruti. A ideia é que todo o conhecimento gerado pelos estudos que fizemos na região possa ser devolvido para a comunidade, atendendo a todas as idades”. 






Projeto Navegar pelo Saber Iniciado em Março de 2009, o Navegar pelo Saber foi criado para trabalhar conceitos de educação patrimonial com as crianças do município, estudantes da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. A sede do projeto, o Espaço da Ciência, funciona há dois anos e oferece espaço para oportunizar o aprendizado sobre a história da cidade por meio de brincadeiras.

De acordo com Greyce Oliveira, supervisora das tarefas do projeto, o passo a passo da educação patrimonial é ministrado com atividades lúdicas. “Aplicamos filmes, brincadeiras e jogos para que as crianças entendam o que é o patrimônio. Sempre buscamos exemplos que têm na cidade, que eles conhecem. Falando não só focando no patrimônio arqueológico, mas em diversos patrimônios, como meio ambiente e a cultura”, diz.

O estudante Mario Jorge Gonçalves contribui com o projeto desde o início. “Foi trabalhando na Alcoa que eu conheci a arqueologia. Fiquei muito interessado e fui convidado a trabalhar com educação patrimonial. Conhecer um pouco da arqueologia e repassar esse conhecimento às crianças tem sido uma experiência muito boa. Perceber o quanto eles se interessam em entender o patrimônio local é o que mais me incentiva”, declara.

Em um ano e meio, o Navegar pelo Saber já recebeu aproximadamente 2500 crianças no Espaço da Ciência. Segundo a coordenação do projeto, esse número representa quase 20% das crianças e adolescentes até 13 anos da sede do município. O Espaço da Ciência é aberto a todos. Qualquer pessoa pode ser um multiplicador do projeto.

Projeto Memórias de RuaDesde Outubro de 2009, o projeto Memórias de Rua reúne jovens de 15 a 26 anos em uma missão de resgate da memória de Juruti. Após um mapeamento dos bairros, a equipe, composta por oito jovens, parte pelas ruas de Juruti à procura dos moradores mais antigos, conhecendo personagens interessantes e registrando em fotografias e filmagens as descobertas do passado.

Segundo Lilian Panachuk, o trabalho com o audiovisual se estendeu para a Internet. “Eles já lançaram um blog, em que publicaram parte da pesquisa e onde é possível acompanhar os trabalhos do projeto. Todos participam ativamente entrevistando, fotografando, transcrevendo e depois divulgam no blog Memórias de Rua”.

Por ser uma proposta diferente, o projeto provoca a curiosidade dos moradores. O estudante Eduardo Alves foi um dos que se interessou. “No primeiro momento, quis saber o que era o projeto e o que mais me estimulou foi o fato de conhecer as pessoas da cidade e histórias que eu nem imaginavam que aconteceram. Hoje, faço parte da equipe e fico contente em saber que os moradores receberam bem nossa idéia. Eles gostam de contar suas histórias e por isso nos recebem com muito entusiasmo”, conta o estagiário do Projeto, de 18 anos.

Paralelamente às entrevistas, os jovens organizam um histórico das ruas da cidade para a futura publicação de um livro. Em 2011, a equipe do projeto será renovada para que mais estudantes tenham chance de participar. A intenção é que até o próximo ano, 20 estagiários tenham passado pela experiência.
Resultados concretos

Lilian lembra dos primeiros públicos envolvidos pelas atividades do Programa de Educação Patrimonial. “Nossa primeira grande ação foi voltada aos educadores, para que eles percebessem que podem trabalhar a educação patrimonial como prática pedagógica. Atingindo a esse público, nós podemos alcançar também os alunos e a família como um todo. No início, também começamos a trabalhar com ceramistas de associações para que pudéssemos contribuir para a organização e o fortalecimento dessas entidades”, diz a arqueóloga.

Como resultado dos cursos, os professores já passaram por três módulos de capacitação. As ações atendem hoje a cerca de 400 educadores e 55 escolas. Aos ceramistas, já foram ministrados dois módulos, com cerca de 60 participantes das áreas urbana e rural. Alguns funcionários da Alcoa também são capacitados para trabalharem nos projetos. Mas, hoje, os resultados se multiplicam conquistando crianças e jovens para a questão da preservação e valorização do patrimônio cultural.

Serviço:
Espaço Ciência
Rua Turíbio Vieira, nº04. Próximo a Escola Municipal Batista Dilma Röösli.

Blog Memórias de Rua

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