Sábado, 07 de Novembro de 2026
27°C 38°C
Santarém, PA
Publicidade
Anúncio

Estrada ilegais chegam a 173 mil km

Estrada ilegais chegam a 173 mil km

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
08/03/2007 às 12h00 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Estrada ilegais chegam a 173 mil km

Fonte: Jornal do Commercio
Link: http://www.jcam.com.br

Causa espanto o tamanho da rede das estradas clandestinas existentes na Amazônia, que não figuram nos mapas oficiais. Um estudo inédito feito pelo Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente) identificou, usando imagens de satélite, 173.000 quilômetros de estradas ilegais, o que equivale a quatro voltas ao redor na Terra. Do total de 242.800 quilômetros de estradas identificadas, 71% são ilegais –duas vezes e meia a rede oficial. O estudo mostra que os Estados de Mato Grosso, Pará e Rondônia concentram 90% das estradas clandestinas.

Trata-se de um gigantesco cinturão que se estende por toda a borda da floresta, existindo ramificações ilegais também a partir da Transamazônica e da BR-163 (Cuiabá-Santarém). De acordo com estimativa do Imazon, a rede de estradas ilegais cresce a uma velocidade de 1.890 quilômetros a cada ano. São os caminhos que levam à devastação da Amazônia.

A pesquisa demonstrou que tais estradas, de terra batida, já atingem reservas ecológicas e terras indígenas que pareciam isoladas no interior da Amazônia. Uma delas, a Terra Indígena do Baú, no município de Altamira, no Pará, foi invadida nos últimos anos por grupos de madeireiros clandestinos que abriram estradas para extrair mogno. Essa rede descaracterizou a área de tal maneira que a Justiça decidiu, em 2003, reduzir a reserva indígena em 17%.

Em Altamira, a Estação Ecológica da Terra do Meio também está cortada por vias clandestinas. Os invasores abrem ramais e instalam placas com nomes de fazendas fictícias, com o objetivo de vendê-las mais tarde. Até mesmo áreas militares, como Cachimbo, no sudoeste do Pará, tiveram suas terras invadidas. Isso só acontece porque vale a pena ocupar terra pública na Amazônia; são pequenas as chances de punição. Nas ocasiões em que as autoridades do Ibama e dos órgãos estaduais de proteção ambiental são informadas de um desmatamento, é procedida a autuação dos infratores.

Com a ajuda de recursos judiciais, o pagamento da multa respectiva pode demorar até quatro anos. Durante esse período, o invasor continua desmatando. Os altos lucros compensam o risco de ser condenado. Mesmo nos casos em que a multa acabe tendo de ser paga, o que só acontece em cerca de 12% das notificações, dificilmente o pecuarista que colocou seu rebanho em terra pública será obrigado a deixar o lote do qual se apossou.

Um dado relaciona diretamente estradas clandestinas e destruição da floresta: 80% do desmatamento na Amazônia ocorrem em um raio de até 5 quilômetros desses ramais, de acordo com a pesquisa do Imazon. A derrubada da mata também não melhora a vida dos que foram atraídos pela abertura das estradas. De acordo com estatísticas do IBGE, 70% dos 16 milhões de pessoas que habitam áreas da floresta estão em condições que beiram a miséria absoluta.

O mapa dessa rede clandestina é um documento precioso para controlar a devastação da floresta amazônica. Pela primeira vez, foi possível estabelecer um padrão da ação dos predadores; as autoridades agora têm a localização precisa dos predadores. O avanço das estradas também revela que é ineficaz a idéia de tentar proteger a hiléia como se fosse um território intocado.

Concessões Florestais

Até o momento, a ação governamental restringiu-se a ordenar o uso do território com a criação de áreas de conservação. Tal política, todavia, não converteu à causa ambiental os que já estão lá. Uma opção viável talvez seja a lei de concessões florestais proposta pela ministra Marina Silva, aprovada no ano passado – uma estratégia de uso econômico da Amazônia que permite às empresas madeireiras ter concessões para explorar, de modo sustentável, florestas públicas. Para Paulo Adário, coordenador do Greenpeace na Amazônia, “O governo finalmente percebeu que a única forma de manter a floresta em pé é criar uma economia legal”. As primeiras concessões poderão sinalizar novos caminhos para a efetiva preservação da Amazônia.

Papel do modelo ZFM

Tudo leva a crer que o motor de crescimento da ZFM, com sua excepcional capacidade de gerar riqueza, tenha sido o elemento inibidor da ação desses predadores no Amazonas, o que tem permitido manter intactos nos últimos 40 anos cerca de 98% da cobertura florestal do Estado. A característica de proteção ambiental é o mais importante argumento para defender o modelo.

Ronaldo Bomfim do Cieam
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Lenium - Criar site de notícias