12/03/2011 às 11h15Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Moradores constroem novos cômodos nas casas
Há duas semanas, este blog flagrou um morador modificando um dos imóveis do PAC no Uruará. O QP voltou ao local e percebeu que praticamente todas as moradias ocupadas pelas famílias estão sendo alteradas pelos moradores, que constroem novos cômodos, cavam fossas e erguem cercados para criar animais. A principal reclamação das pessoas é que as casas não possuem fossa sanitária. Para fazerem suas necessidades fisiológicas, elas recorrem às antigas moradias vizinhas ao conjunto inacabado.
A permanência dessas famílias nos imóveis ocorre desde o dia 11 de setembro de 2010 e, apesar de terem conhecimento de que a ocupação das casas é ilegal, elas afirmam que só saem de lá com ordem judicial, porém, esperam que o governo municipal providencie um local adequado para que as pessoas possam ficar até que o conjunto seja entregue oficialmente aos seus verdadeiros donos. Mas, enquanto isso não acontece, eles têm que improvisar para sobreviver em meio à precariedade do lugar, que não oferece segurança às pessoas e nem condições higiênicas necessárias para os habitantes.
Todo serviço relacionado ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), naquela parte do bairro do Uruará é visto com preocupação pela comunidade, uma vez que desde o início da obra que a vida dos moradores sofreu mudanças radicais. O PAC trouxe insegurança, incerteza e destruição às desapropriadas pela Prefeitura para construção de casas populares. Todos são unânimes em afirmar que a situação ficou pior depois que o empreendimento do governo foi iniciado no bairro. O mais recente problema trazido pelo PAC aos moradores é o aterramento de um terreno, onde a prefeita Maria do Carmo anunciou a construção de 80 novas casas para abrigar famílias que ainda moram nos pontos alagados. O trabalho de terraplanagem deixou uma imensa poça d’água perto de um muro, que separa o imóvel das residências dos comunitários. O muro está com várias rachaduras e ameaça ruir a qualquer momento pelo que constatou a reportagem deste semanário esta semana. Além do risco de desabamento, a água parada é propícia à proliferação do mosquito transmissor da dengue. A situação é deprimente.
Marcos Santos
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