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Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
27/03/2011 às 11h33 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
 
 Felipe Bandeira* 
A discussão sobre segurança pública não se restringe unicamente a ação policial. Hoje, somos refém de um sistema incoerente e mal projetado vítima de um Estado que se vende a interesses imediatistas de corruptos. A ação conjunta das polícias militar, civil e federal que resultou na prisão do sargento Ed Carlos Serrão Rebelo, acusado de articular o assalto ao Banpará no ano passado, expõe os ferimentos paradoxais de uma instituição dedicada para servir ao zelo da população.

Ao mesmo tempo em que a polícia coíbe essas práticas corrosivas à sociedade, habita em nossas mentes um sentimento nebuloso mesclando medo e indignação. Afinal, o “coração do sistema” parece está longe da mira policial comprometida. A exemplo da CPI das milícias no Rio de Janeiro (2008), que investigou as práticas abusivas por parte de militares e políticos que instalavam nas favelas um verdadeiro poder paralelo amedrontando a todos, também o fato ocorrido em Santarém aponta para uma falha estrutural da segurança pública e confirma seu sucateamento em todo o país.

Enquanto isso, nós cidadãos, sofremos boicotes em nosso direito a liberdade. Realizamos nossas ações cotidianas, temerários a onda de violência que devasta nossas aspirações. Temos que nos habituar as grades e aos cadeados, nas ruas aos passos apressados. O que se dá a entender é que os papeis se inverteram. Afinal, quem é polícia e quem é bandido?

*Acadêmico da Ufopa. É articulista do blog
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