11/04/2011 às 22h41Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
José de Souza Júnior*
Rege a lenda política que se nos primeiros cem dias de governo não houver mudança dificilmente acontecerá, ou ainda, que esse período busca retratar todo o rosto de um mandato político. Pelos nossos Estados brasileiros encontraremos os nossos governadores que vão completando essa marca. Uns no segundo mandato, outros entre a sucessão e o primeiro mandato. Entretanto, quero me ater no governo Dilma. A primeira mulher na presidência da República que alcance mais esse feito, os seus primeiros cem dias.
O governo Dilma sucedeu um governo em altíssimo índice de popularidade. Por outro lado, capenga em administração. Não chego a dizer uma herança maldita, porém, o governo Lula colheu muito nos oito anos e plantou pouco para seus sucessores colherem. Sendo assim, o governo Dilma encarou já nesses primeiros cem dias, cortes, reajustes e o temor da inflação. No primeiro instante parece que o leme da inflação esta desgovernado. O salário mínimo não subiu mais por questões de recursos e estruturas. Por fim, o governo Dilma conseguiu se sair bem no quesito popularidade e manter a política social – ou ao menos o discurso.
Ao meu ponto de vista, o governo Dilma começou balbuciando a mesma linguagem do governo anterior. Por questões de respeito e partidária também. Embora que, busca abordar algumas questões com mais maturidade e sensatez. A presidenta tenta construir um governo “adulto”, enquanto o presidente tentou construir um governo “infantil”. Agradando a todos, esquecendo da responsabilidade e vivendo numa fantasia de uma pura inocência. Pode ser que daqui pra frente ela venha ler a cartilha do ex-presidente. Porém, um dos méritos do governo Dilma é a objetividade. Só não sei até quando.
Sinceramente até o momento em que escrevo, não sei dizer se o ex-presidente falava muito ou se a presidenta fala pouco. Contudo, ela mostra um apreço para com a cultura e lágrimas diante as câmeras. Seria o lado maternal? Ou algo tipo Pietá? Doravante, o estilo de se expressar é bem diferente do antecessor. O populismo que ronda a América Latina tenta correr nas veias da presidenta. Apenas tenta, pois ela é muito mais administrativa. Como dizem: mantém sua imagem de durona e apresenta uma imagem afetiva.
Depreendo que o governo Dilma tem muito para mostrar. Sobretudo pela maioria no Congresso. Esse sim será um grande desafio para nossa presidenta. Costumo dizer que seus maiores desafios não virão da oposição e sim do PMDB. O PT vai querer a “institucionalização” que o PMDB conseguiu nas Casas. Essa medida de forças requer um outro artigo. Ambos os partidos aparentemente se comportaram bem nesses cem dias. Pode ser ainda o clima de lua de mel. Assim como Lula e Dilma vivem esse clima de lua de mel política. Que terão seus dias contados quando a presidenta quiser sair do andador. Até lá, o bê-á-bá será soletrado.
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