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A África é aqui, diz jornal português

A África é aqui, diz jornal português

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
24/11/2007 às 14h14 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Santarém do Pará fica sobranceira a um rio e, na época das chuvas, as águas inundam-lhe a avenida marginal, chegando a interromper o trânsito, tal como o Tejo perturba por vezes a zona baixa da nossa Santarém e inquieta as localidades ribeirinhas próximas. Mas ficam-se por aí as eventuais parecenças entre as duas cidades homónimas.

A principal cidade do Oeste do Pará é um deslumbramento, quanto a enquadramento paisagístico. Mas, de tão degradada, fornece motivos que baste à tentação de a compararmos, por exemplo, a Freetown ou Conakry na África Ocidental. E se focarmos a atenção em Santarenzinho, o seu bairro maior dos subúrbios e onde vivem umas 35 mil pessoas, o mínimo que pode dizer-se é que mete medo.

Aqui, quase nem se pode dizer que haja um centro, social e comercial, mais arrumado e limpo que o conjunto da terra. A não ser a parte antiga, perto da catedral e num dos extremos da Avenida Tapajós, o que se encontra são buracos na rua, bairros quase favelas e favelas mesmo, tristonhas e miseráveis, com esgotos a céu aberto, ruas feitas ribeiros e intransitáveis.

Uma exemplo de como (não) funciona Santarém: muitas ruas de sentido único não têm sinal de proibição algum, para o virtual sentido contrário. O resultado é entrar-se à confiança e daí a pouco ver o pessoal a fazer sinais desesperados do passeio e um ou outro veículo a buzinar desenfreadamente, para afastar o intruso. O que vale é que, como só se chega a Santarém de avião ou barco, na maior parte do ano, os poucos automóveis que lá circulam são dirigidos por residentes, que conhecem bem a pequena cidade. Não fora isso, e haveria desastres em barda, até regularizarem a sinalização.

E é pena, este desleixo e abandono, pois o enquadramento da cidade na natureza é um deslumbramento. Logo em frente à marginal é possível ver o espectáculo do encontro das águas, no lago onde dois grandes rios se misturam: de um lado o Amazonas, com suas águas barrentas e de outro, o Tapajós, azul-esverdeado.

Ainda resistem na cidade alguns belos prédios históricos e monumentos, herança da colonização portuguesa na região. Os jesuítas andaram por aqui, a catequizar os índios Tapaiussu (depois Tapajós).
O município é constituído pelos distritos de Santarém, Alter do Chão, Belterra, Boim, Curuai e Mojuí dos Campos, que somam no total 241,7 mil habitantes. Há meia dúzia de hotéis, dois ou três muito bons, e outros quanto baste para as necessidades do turismo. Quem vem à região só a passeio ou turismo, mais rápido parte para Alter do Chão, a 35 km de distância, do que se queda em Santarém.

O texto está na página do jornal Expresso, de Portugal.
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