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Lenda e ciência tentam explicar o fenômeno

Lenda e ciência tentam explicar o fenômeno

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
22/03/2008 às 16h23 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
O município de São Domingos do Capim, distante 136 quilômetros de Belém,passou a ser conhecido no mundo inteiro com a criação do Surfe naPororoca. Emissoras de comunicação da Alemanha, Espanha e de outrospaíses já estiveram registrando o fenômeno da pororoca no rio Capim. O Brasil inteiro também buscou imagens das ondas e das histórias sobre ofato e sua tradição em lenda.

O funcionário público aposentado, Pedro Sodré, 78 anos, pesquisa todosos textos e temas envolvendo a pororoca. Ele confirma os fatos, mas fazquestão de dizer que o povo do lugar sempre apreciou a pororoca. Segundo ele, por diversas vezes, os governadores paraenses estiveram na cidadepara acompanhar os banzeiros em forma de ondas provocados pela entradafuriosa das águas do oceano Atlântico nos braços dos rios Capim e Guamá,que se interligam em seus movimentos a caminho do mar.

"Mas a pororoca não era divulgada como está sendo hoje; a cidade começou a ser conhecida lá fora", afirma o pesquisador. Pedro chega a dizer que São Domingos do Capim estava, "fora do mapa do Pará".

Para o aposentado, a divulgação tem sido importante para a visibilidadedo município e tem contribuído para o crescimento físico do município."A partir daí fomos observados melhor pelos nossos governadores.Esperamos que esse evento nunca termine", pediu, em forma de oração,pois sabe que a pororoca do Capim está diminuindo de tamanho no decorrerdos anos.

"A onda é a maré que vem do mar. A gente sabe que nos meses de março eabril temos as marés mais altas na costa do Atlântico, em conseqüênciadas influências dos astros celestes. Quando a maré vem com força dooceano, e penetra nos rios, formam as ondas", relata.

As causasapontadas para esse efeito estão ligadas ao desmatamento das florestas eao assoreamento dos rios, provocando a diminuição das ondas. Pedro, mesmo não querendo, entende que caso a situação permaneça nomesmo ritmo, a tendência é chegar um dia em que a pororoca vaidesaparecer, por completo.

Quando o repórter comentou com ele que adiminuição das ondas teria a ver com o envelhecimento dos "pretinhos" dalenda e que um deles teria morrido, segundo dizem os ribeirinhos, eleabriu um largo sorriso e comentou: "Bom, isso aí também. Isso aí ajudapor que eles ficaram velhos também e já não estão com a mesma força".

História - Dil Palheta, comerciante do ramo de farmácia, foi pioneiro aodirigir uma lancha para deslocar os aventureiros surfistas que queriam"pegar aquela onda desconhecida". Para acompanhar a aventura, uma equipede jornalismo da Rede Globo veio junto. Era o ano de 1997. "Vieram aquina nossa cidade para fazer uma matéria promocional, divulgando apororoca, que é um fenômeno que até hoje se tem como uma lenda demistério", revela Dil.

Segundo o comerciante, o embrião do evento Surfe na Pororoca poderia serclassificado como "free surf", ou seja, não havia campeonato, não haviacompetição. Na época, quem desembarcou em São Domingos do Capim foram Carlos Burleque, campeão mundial de ondas grandes no ano anterior, Dunga Neto, surfista de Fortaleza, Ricardo Tatuí e alguns surfistas de Salinas, como Junior e Noeli Sobrinho.

"Montamos uma estrutura bem precária, só tinha um barco e uma lancha,que fazia todo o trabalho. Colocava o surfista na onda, filmava evoltava para recolher o surfista. Começou assim", comenta.

Ele se gaba de ter sido segura a aventura por ser morador do lugar econhecer toda a região. "Então sei por onde vai, por onde vem, sei ondevai quebrar a onda", garante.

No ano seguinte, repetiram a dose. O governo do Estado percebeu que opotencial turístico era grande e valia a pena incentivar. Dil avalia que o Surfe na Pororoca tem pontos importantes, positivos enegativos.

Segundo ele, o evento evoluiu bastante, ganhando patrocíniodos governos estadual e municipal e de "empresas de renome". Palheta dizque o povo sempre espera que no ano seguinte aconteça melhor que o anterior.
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