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Madeireiros na mira da Polícia Federal

Madeireiros na mira da Polícia Federal

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
24/03/2008 às 20h33 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Pelo menos três grandes madeireiros residentes em Santarém são alvos de investigação dos federais na região Oeste do Pará, informou fontes da Polícia Federal do Estado do Amazonas que participam diretamente das investigações. O trio é apontado como o principal financiador da derrubada e exploração ilegal de árvores que são exportadas para a Europa.

Na semana passada, o navio Galina III, que faz o transporte periódico de madeira para o mercado europeu foi bloqueado em águas francesas por um grupo de ativistas do Greenpeace. A entidade acusa a União Européia de patrocinar a exploração ilegal da floresta Amazônica com a participação direta de madeireiros locais nesta empreitada criminosa. O Greenpeace diz ainda que a madeira é exportada de maneira ilegal para fugir da fiscalização brasileira.

No mês passado, o navio Galina III passou cerca de cinco dias embarcando madeira no porto da Companhia Docas do Pará (CDP), em Santarém (PA). A embarcação abocanhou de uma só vez grande parte da madeira que estava estocada no pátio da CDP.

Por várias vezes, a reportagem do Jornal A Cidade tentou contato com a direção da Companhia Docas do Pará para colher deta-lhes sobre a exportação de madeira da região para os países da Europa, contudo, todas as tentativas foram em vão, já que o responsável não recebeu nossa equipe.

O Greenpeace afirma que grande parte da madeira extraída ilegalmente da Amazônia abastece paí-ses como Portugal, Espanha, Holanda e França. Com a ajuda de madeireiros, a madeira ilegal, segundo o Greenpeace, é exportada como produto legalizado, contudo, tem origem irregular e passa por um processo de "esquentamento" entre a retirada da floresta e a chegada aos portos para exportação.

"A madeira sai com documento, mas sabemos que o envolvimento de algumas madeireiras com a ilegalidade é grande. A União Européia consome entre 40% e 50% da madeira produzida no Brasil. É co-responsável pela destruição da Amazônia", afirmou o engenheiro florestal Marcelo Marquesini, ativista da Ong.

As fontes federais informaram ainda à reportagem em Manaus que há várias pessoas envolvidas diretamente no esquema de extração ilegal de madeira das regiões dos rios Curuatinga e Curuá-Una. Os cabeças são grandes empresários do setor que financiam grupos armados em diversos assentamentos e comunidades locais.

As empresas Pena Agro-Florestal Madeireira, Rancho da Cabocla e Estância Alecrim aparecem no relatório do Greenpeace como principais fornecedoras de madeira da Amazônia para países da Europa.

Outras informações obtidas com exclusividade pela reportagem do Jornal A Cidade dão conta do envolvimento de um empresário com a criação do PDS Renascer, que possui uma grande área de madeira nobre intacta.

O madeireiro surge como responsá-vel pelo financiamento de grupos armados e incita a grilagem de terras. Além disso, ele também garante benefícios aos comunitários ofertando óleo diesel e dinheiro.

NOTA: Não foram citados nomes nesta matéria a pedido das fontes deste jornal que investigam o caso sigilosamente.
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