Por: Redação / Web Amazônia
24/03/2008 às 21h23 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
A natureza, caprichosamente, frustrou as expectativas de quem viajoupara o município de São Domingos do Capim, com a esperança de assistir eusufruir do fenômeno da Pororoca, onda de rio provocada pela entrada daágua do oceano atlântico nos rios da Amazônia. Os surfistas tiverammuita dificuldade para encontrar uma onda, todas tímidas e estourando empontos dispersos dos rios Guamá e Capim.
Durante três dias, de lanchas e "jet-skis", jornalistas, surfistas e aventureiros cortavam as águas dos rios a procura do fenômeno da Pororoca, que garantiria o evento Surfe na Pororoca deste ano. Por perto, estava sempre uma lancha com homens da Polícia Fluvial e da Capitania dos Portos. Também acompanhava o comboio um bote do Corpo deBombeiros.
As equipes seguiam as indicações pré-definidas pela Federação Paraensede Surfe aos locais onde poderíam encontrar a famosa Pororoca. Acoordenação do evento ficou por conta da Secretaria de Estado de Esportee Lazer (Seel), em parceria com a Prefeitura Municipal de São Domingos do Capim.
Na sexta-feira (21) todos foram em busca da Pororoca. O deslocamento -no primeiro momento - foi para a ilha dos Paus, no rio Guamá. Como nãoapareceu onda, as equipes seguiram para a ilha do "Toio", no rio Capim.
Todos os dias, as embarcações se dirigiam para o Toio, na esperança de conseguir uma boa onda. É lá que a programação é finalizada e onde o público tem mais facilidade para apreciar o movimento das ondas e asmanobras radicais dos surfistas.
No sábado (22), segundo dia da competição a federação optou em descartaro rio dos Paus e a primeira busca pela onda se deu na ilha Nova, também no Guamá. Neste dia, os surfistas conseguiram participar de quatrobaterias. Só em uma delas houve condições de contagem de pontos.
Dos oito inscritos, quatro foram classificados para a final, entre eles opequeno Gold Aguiar Moreira, de 10 anos, surfista de Salinópolis, que jácarrega na bagagem dois anos de Surfe na Pororoca.
Segundo Gold, no primeiro dia, o presidente da Federação, Roberto Lisboa, o "Beto", não deixou o pequeno surfista cair na água. Como nodomingo (23) não houve onda, a definição do torneio obedeceu a classificação de sábado.
O vencedor foi Rodrigo Barros, de Salinas; em segundo, Waldson Espíndola, de São Domingos do Capim; em terceiro, MagnoMesquita e em quarto, Gold Aguiar, ambos de Salinas. Os nativos acreditam que a pororoca só vai mostrar sua "cara" entre osdias 6 e 9 de abril, mês em que as chuvas são mais constantes.
A chuva e a presença da lua cheia estimulam as marés altas, que provocam grandesondas. Uma preocupação constante dos nativos é o fato de que o fundo dosrios está ficando cada vez mais raso. Várias lanchas e jet skis ficaramencalhados na lama. Tripulantes e comandantes tiveram pisar na lama,para tirar a embarcação do banco de areia.
O que fez a festa na cidade foram os três dias de programação da Seel e prefeitura do Capim, com competições esportivas, atividades religiosas,e show musical de artistas paraenses. Para o secretário-adjunto de Esporte e Lazer, Otávio Carepa, a integração com o município e aparticipação popular foram os pontos mais importantes.
O coordenador geral do evento, José Augusto Silva, disse que trabalharcom fenômenos da natureza, é apostar no imprevisível. "O pior seria senão houvesse nem pequena (pororoca), que impedisse o campeonato, mashouve", comentou.
Augusto disse que as expectativas foram atendidas.Elogiou a segurança como perfeita e afirmou que não houve atendimentograve de saúde. Um motoqueiro sofreu um acidente e bateu a cabeça. Eleestava sozinho na moto e caiu por "imperícia" no volante, comentaram astestemunhas.
Para o coordenador, os jogos fizeram sucesso, principalmente a novidade:jogos de salão, como tênis de mesa, baralho, dominó, vareta e pulacorda. O projeto Navegar promoveu uma maratona de canoagem, com asmodalidades de Vela e Remo, com participação concorrida, inclusive de atletas de outros municípios como Salinas, Santarém e Soure.
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