17/12/2013 às 13h13Atualizada em 17/12/2013 às 13h13
Porém, a “mulher-gringa” nunca perdeu a esperança de um dia, ser resgatada daquele lugar isolado do mundo civilizado, e para isso mantinha um pedaço de pano branco que por meio de sinais e carinhos pediu ao “macaco-aranha” que o colocasse na copa da árvore mais alta daquela ilha, sem ele saber qual seria o objetivo. Dessa convivência e relação reprodutiva, o casal já possuía quatro “filhotes”, estando o mais velho com três anos e os mais novos; um casalzinho de gêmeos com apenas um aninho, que eram risonhos e sapecas quando se abraçavam, “xodós” do pai, que demonstrava carinho com suas crias e se esforçava para arranjar alimentos para todos. Mas a mãe nunca aceitou aquilo com naturalidade e não via à hora de se livrar daquela sofrida vida selvagem.
Foi quando certo dia, ela descascava algumas frutas para alimentar sua estranha prole, então percebeu um pequeno hidroavião sobrevoando a árvore onde estava preso o pedaço de pano igual a uma pequena bandeira, enquanto o seu, agora parceiro “macaco-aranha”, se encontrava para o interior da mata caçando pequenos animais e tirando mel de abelhas. Ela vendo o hidroavião, correu para um descampado da ilha e fez sinais para os ocupantes do hidroavião que deram uma volta num vôo rasante, e pousaram num lago mais próximo, e alguém pegou um pequeno bote inflável e dirigiu-se para resgatá-la. A mulher louca para se ver livre daquele cativeiro natural, abandonou seus filhotes “crianças-macaco” e sem temer as piranhas se atirou no rio indo de encontro ao pequeno bote, sob os gritos e choro de seus “filhotes”, que agora ameaçavam, também se atirarem nas águas cheio de vorazes piranhas, indo atrás da mãe.
Com a zoada do avião e os gritos de seus “primatinhas”, o “macaco-aranha” voltou rápido da mata e corria agora saltando próximo ao rio uivando de desespero, atirando pedaços de paus, por estar vendo a fuga de sua “amada-amante” e o sofrimento de suas “crianças”. Logo, a mulher foi resgatada no bote, e com uma dor apertada no peito se afastava agora daquela dolorosa vida selvagem, mas ao mesmo tempo sofria a separação daqueles pequeninos “seres”, que ela não poderia negar de serem seus “filhos”, pois nasceram dela...
O grande “macaco-aranha” se dando por vencido em perder sua parceira, voltou todo seu ódio contra seus “filhotes”, lembranças de um “grande amor selvagem” agora desfeito, e como forma de vingança para atingir a fugitiva, com parte do corpo ainda dentro do rio, começou a trucidar seus próprios “filhos”, ao segurá-los pelas pernas e rasgá-los ao meio e os atirava às piranhas, fato que chocou os tripulantes do hidroavião e deixou um sentimento de culpa na mulher, que “pirou” completamente. Pois ao chegar a Manaus, a cidade mais próxima, foi internada num manicômio, de onde nunca mais saiu, e sempre nas madrugadas frias, gritava ecoando pelos longos corredores: - “Eu quero meus filhooos!!! - Eu quero meus filhooos!!!”
O “macaco-aranha” transtornado pelo ocorrido, voltou para sua “toca” e tomou uma grande dose de sumo do “Cipó-timbó” misturado com casca de “Assacu”, dando fim também à sua vida, encerrando aquela odisséia de um amor selvagem não correspondido, em pleno coração da Amazônia...
*É Projetista e Gestor Ambiental
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