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Madeireiros na mira da Polícia Federal

Madeireiros na mira da Polícia Federal

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
05/04/2008 às 16h27 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Madeireiros na mira da Polícia Federal
Pelo menos três grandes madeireiros residentes em Santarém são alvos de investigação dos federais na região Oeste do Pará. Segundo informaram fontes da Polícia Federal do Estado do Amazonas e que participam diretamente das investigações, o trio é apontado como o principal financiador da derrubada e exploração ilegal de árvores que são exportadas para a Europa. Esta semana, fiscais do Ibama retive-ram 1,5 mil m³ de madeira nobre que estava no porto da Companhia Docas do Pará (CDP), em Santarém, considerado o principal fornecedor do produto para o mercado internacional. A madeira, de acordo com informações fornecidas por Marcus Bistene, chefe de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis, estava com a documentação irregular e, portanto, foi retida para averiguação.

Marcus não informou o nome da empresa dona do carregamento, disse, no entanto, que ela será multada e pode também ser indiciada por crime ambiental, já que o Ibama encaminhará o caso ao Ministério Público. As irregularidades encontradas durante a fiscalização do Ibama no porto da CDP se evidenciam à medida que o cerco se fecha às investidas de madeireiros que tentam burlar a lei.

O chefe de fiscalização afirma que o Ibama intensificará o combate ao transporte ilegal de madeira para o mercado internacional. "Se o produto estiver dentro de legalidade é melhor para todo mundo. O que não vamos admitir são atos criminosos na tentativa de fugir da fiscalização dos órgãos brasileiros", avisou Bistenel, ressaltando que o navio BSLE Express teve de permanecer no porto da CDP até que o trabalho de verificação dos documentos da madeira fosse concluído.

A embarcação estava com um carregamento de mais de 5 mil metros cúbicos de madeira, sendo que 1,5 mil possuíam documentos irregulares. "Apenas o produto foi retido. O navio ficou aqui porque não poderia seguir viagem vazio", explicou.

Investigação - As fontes fe-derais informaram à reportagem de A Cidade em Manaus que há várias pessoas envolvidas diretamente no esquema de extração ilegal de madeira das regiões dos rios Curuatinga e Curuá-Una. Os 'cabeças' são grandes empresários do setor que financiam grupos armados em diversos assentamentos e comunidades locais.

Além disso, eles também fogem da fiscalização tentando exportar madeira ilegalmente pelo porto de Santarém. Outras informações obtidas com exclusividade pela repor-tagem do Jornal A Cidade dão conta do envolvimento de um empresário com a criação do PDS Renascer, que possui uma grande área de madeira nobre intacta.

O madeireiro surge como responsável pelo financiamento de grupos armados e incita a grilagem de terras. Além disso, ele também garante benefícios aos comunitários ofertando óleo diesel e dinheiro. Por várias vezes, a reportagem do Jornal A Cidade tentou contato com a direção da Companhia Docas do Pará para obter detalhes sobre a exportação de madeira da região para os países da Europa, contudo, todas as tentativas foram em vão, já que o responsável não recebeu nossa equipe.

NOTA: Não foram citados nomes nesta matéria a pedido das fontes deste jornal que investigam o caso sigilosamente.
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