Pelo menos três grandes madeireiros residentes em Santarém são alvos de investigação dos federais na região Oeste do Pará. Segundo informaram fontes da Polícia Federal do Estado do Amazonas e que participam diretamente das investigações, o trio é apontado como o principal financiador da derrubada e exploração ilegal de árvores que são exportadas para a Europa. Esta semana, fiscais do Ibama retive-ram 1,5 mil m³ de madeira nobre que estava no porto da Companhia Docas do Pará (CDP), em Santarém, considerado o principal fornecedor do produto para o mercado internacional. A madeira, de acordo com informações fornecidas por Marcus Bistene, chefe de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis, estava com a documentação irregular e, portanto, foi retida para averiguação. Marcus não informou o nome da empresa dona do carregamento, disse, no entanto, que ela será multada e pode também ser indiciada por crime ambiental, já que o Ibama encaminhará o caso ao Ministério Público. As irregularidades encontradas durante a fiscalização do Ibama no porto da CDP se evidenciam à medida que o cerco se fecha às investidas de madeireiros que tentam burlar a lei.
O chefe de fiscalização afirma que o Ibama intensificará o combate ao transporte ilegal de madeira para o mercado internacional. "Se o produto estiver dentro de legalidade é melhor para todo mundo. O que não vamos admitir são atos criminosos na tentativa de fugir da fiscalização dos órgãos brasileiros", avisou Bistenel, ressaltando que o navio BSLE Express teve de permanecer no porto da CDP até que o trabalho de verificação dos documentos da madeira fosse concluído.
A embarcação estava com um carregamento de mais de 5 mil metros cúbicos de madeira, sendo que 1,5 mil possuíam documentos irregulares. "Apenas o produto foi retido. O navio ficou aqui porque não poderia seguir viagem vazio", explicou.
Investigação - As fontes fe-derais informaram à reportagem de A Cidade em Manaus que há várias pessoas envolvidas diretamente no esquema de extração ilegal de madeira das regiões dos rios Curuatinga e Curuá-Una. Os 'cabeças' são grandes empresários do setor que financiam grupos armados em diversos assentamentos e comunidades locais.
Além disso, eles também fogem da fiscalização tentando exportar madeira ilegalmente pelo porto de Santarém. Outras informações obtidas com exclusividade pela repor-tagem do Jornal A Cidade dão conta do envolvimento de um empresário com a criação do PDS Renascer, que possui uma grande área de madeira nobre intacta.
O madeireiro surge como responsável pelo financiamento de grupos armados e incita a grilagem de terras. Além disso, ele também garante benefícios aos comunitários ofertando óleo diesel e dinheiro. Por várias vezes, a reportagem do Jornal A Cidade tentou contato com a direção da Companhia Docas do Pará para obter detalhes sobre a exportação de madeira da região para os países da Europa, contudo, todas as tentativas foram em vão, já que o responsável não recebeu nossa equipe.
NOTA: Não foram citados nomes nesta matéria a pedido das fontes deste jornal que investigam o caso sigilosamente.