27/03/2007 às 15h57Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Hoje 27 de março, o cantor e líder da banda Legião Urbana, completaria 47 anos e a data não pode passar em branco. A voz grave e a dança aparentemente fora de compasso são apenas dois detalhes do roqueiro mais expressivo do movimento marcado pela profusão de bandas do entorno do Planalto Central e da região sudeste do país.
Intensidade. Provavelmente essa deva ser a palavra que melhor define a maneira que Renato Russo viveu seus 36 anos de vida. Anos esses estendidos pela influência de suas músicas ouvidas anos depois de sua morte. Portanto se você sabe cantar ao menos um trecho da música ‘Pais e Filhos’ ou já se pegou cantarolando estrofes mesmo que avulsas de ‘Eduardo e Mônica’ e não passa dos 20 e 25 anos é prova de que a obra de Renato Russo continua viva.
A face intelectual do compositor começou a se desenvolver com mais força quando Renato ficou dependente de cadeira de rodas por conta de uma doença rara chamada epifisiólise, isso quando ainda tinha 13 anos. Pela dificuldade de locomoção lia bastante e ouvia muita música, fato que o estimulou a montar uma banda de rock. O sonho se tornou realidade em 1982 com o início da Legião Urbana, após a embrionária Aborto Elétrico, banda que contava com integrantes da hoje conhecida Capital Inicial. O primeiro show aconteceu no mês de setembro de 1982, no município de Patos de Minas (MG). Alçados ao sucesso após um show memorável show no Circo Voador, casa de shows famosa do Rio de Janeiro, a banda gravou uma fita demo para a gravadora EMI e um ano após lançou o primeiro disco.
A partir daí sucessivos hits marcaram a trajetória da banda. ‘Ainda é cedo’, ‘Que país é esse?’, ‘Será’ e a clássica ‘Pais e Filhos’ entraram para a história do país inteiro e passaram a fazer parte da narrativa pessoal de diversos jovens das mais variadas regiões do Brasil. Ali Renato Russo e a Legião Urbana se efetivavam como as maiores referências do rock brasileiro.
Após anunciar publicamente que era portador do vírus HIV e seis meses depois de parar de tomar os medicamentos para conter o avanço da doença, Renato morreu no dia 11 de outubro de 1996.
Um dos últimos desejos do cantor foi obedecido pela família: as cinzas de Renato foram jogadas no Jardim do sítio do Paisagista Roberto Burle Marx, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, ao som de umas das canções que ele mais ouvia nos últimos dias de vida, ‘Fantasia para piano’, de Schumann.
A indústria fonográfica ainda é a que mais lucra mesmo após a morte de Renato Russo e o fim da Legião Urbana. Uma das últimas compilações é o cd e o dvd do show ‘Renato Russo Multishow Ao Vivo’, gravado em dezembro de 2005, no Rio de Janeiro. Participaram da apresentação às bandas Capital Inicial, Plebe Rude, Detonautas, Titãs, Cidade Negra, além de cantores como Chorão, da banda Charlie Brown Jr., Fernanda Takai, da banda Pato Fu, Paulo Ricardo (ex-RPM) e Vanessa da Matta.
Demais áreas como o teatro e até o cinema passaram a destacar a vida do cantor, como a peça ‘Renato Russo’, encenada pelo ator Bruce Gomlevsky. No espetáculo Bruce encarna Renato e mostra a vida conturbada do ídolo dos anos 80 e ainda canta músicas que milhões de brasileiros cantaram e cantam até hoje.
Fonte: Drika Ferreira, especial para o Portal ORM
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