04/05/2008 às 20h46Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
A rodovia Santarém/Cuiabá, no trecho compreendido entre os municípios de Santarém e Rurópolis, está intra-fegável e causando transtornos para todos que necessitam daquela estrada para chegar a outras cidades. A BR-163 precisa de reparos urgentes enquanto não chega o tão prometido asfalto. Nem mesmo nos pontos onde o 8º Batalhão de Construção e Engenharia (8ºBEC) faz alguns serviços paliativos é possível trafegar com tranqüilidade. "Além do transtorno, tem o lado financeiro, já que os veículos não suportam a precariedade da estrada e acabam quebrando", diz o motorista Carlos Salustiano, que só este mês, nas viagens que faz constantemente pela rodovia precisou trocar o eixo do seu veículo duas vezes.
Quem mora nas comunidades às margens da rodovia diz que foi esquecido pelo governo. Eles culpam também as autoridades locais pela situação caótica em que está a BR-163 se encontra. Segundo o agricultor Sebastião Matos, os governos dos municípios localizados na rodovia Santarém/Cuiabá deveriam exigir do governo fede-ral mais atenção e investimentos para que fosse feita a pavimentação de toda a estrada e não apenas de algumas partes, beneficiando somente uns.
A reclamação do agricultor ganha eco também nas palavras de motoristas de empresas de ônibus que fazem o transporte interesta-dual e caminhoneiros responsáveis pelo transporte de cargas que abastecem o mercado local. "Essa situação causa prejuízo para todo mundo, sobretudo para aqueles que necessitam dessa importante via. Infelizmente, a BR-163 não recebe atenção devida do governo e nós, que somos responsáveis pelo desenvolvimento do país, somos penalizados", diz Antonio Corrêa, caminhoneiro que há mais de 20 anos enfrenta os obstáculos da BR-163 para garantir o fornecimento de produtos para várias cidades paraenses.
O representante da empresa "Viação Tapajós", que percorre vários municípios transportando passageiros, diz que por diversas vezes o dono pensou em retirar os veículos de circulação devido à precariedade da rodovia. Porém, em respeito aos clientes e pessoas que necessitam do serviço mantém os veículos em circulação. "Essa situação desanima qualquer empresário que vem à região prestar um serviço público e de qualidade. As pessoas que sobrevivem desse ramo são batalhadoras porque só quem conhece a realidade da BR-163 sabe o risco que é trabalhar aqui. Você está transportando vidas humanas. Não adianta a gente oferecer segurança e conforto nos veículos se a estrada não está boa", diz o empresário Nilton César Trinca.
O repórter Elias Júnior fez o trajeto Santarém/Rurópolis em um ônibus da empresa "Viação Tapajós" e pode constatar os perigos que a estrada oferece, sobretudo no quilômetro 157. Em alguns pontos, os passageiros tiveram que descer do veículo para que o ônibus pudesse passar, já que havia risco iminente de o veículo tombar.
Buracos gigantescos estão por toda parte e oferecem riscos aos motoristas, principalmente para quem não conhece bem a BR. Homens do BEC estão em alguns pontos da estrada e ajudam no socorro àqueles que ficam atolados na lama neste período de fortes chuvas.
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