31/03/2007 às 11h39Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Policiais federais podem fazer mais uma paralisação de 24 horas na próxima terça-feira, 3 de abril. É o que diz a carta enviada pelo presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Sandro Torres Avelar, nesta sexta-feira, 30 de março, ao ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo. No texto, Avelar expressa surpresa ao saber que o ministro desconhece o acordo firmado pelo governo com os policiais federais.
O delegado afirma que as declarações do ministro Paulo Bernardo à imprensa causaram grande instabilidade e acirraram os ânimos dos policiais federais. “Isso prejudicou o calendário sugerido pelas entidades classistas de âmbito nacional com a previsão de novo ato público somente no dia 18 de abril, fazendo com que diversos Estados da Federação, por suas lideranças locais, entendessem por repudiá-las já, antecipando as manifestações para a próxima terça-feira, dia 03/04”, escreve.
Leia a carta na íntegra transcrita abaixo ou no anexo.
Brasília, 30 de março de 2007
Exmo. Sr.
Dr. PAULO BERNARDO DD. Ministro de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão - MPOG Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão
Esplanada dos Ministério – Bl. K – 7º ANDAR
70040-906 - Brasília/DF
Senhor Ministro,
É com preocupação que, respeitosamente, nos dirigimos à V. Exª. para dizer da surpresa com que lemos suas entrevistas em diversos veículos de comunicação, afirmando desconhecer o compromisso do Governo no tocante à recomposição salarial dos servidores do Departamento de Polícia Federal.
Temos em mãos cópia do documento que V. Exª. alega desconhecer, assinado em 02/02/06, no qual o então ministro Márcio Thomaz Bastos fez constar, expressamente, que: “... Cumprimentando-os, faço referência aos entendimentos destinados à recomposição salarial dos integrantes da Carreira Policial Federal e do Plano Especial de Cargos do DPF, para reiterar o compromisso do Governo Federal em aprovar o pleito apresentado pela Direção Geral da Polícia Federal a este Ministério, nos termos da proposta datada de 11 de julho de 2005, tendo sido acertado com a equipe econômica que o aumento será dividido em duas vezes, ainda no presente exercício (2006). Respeitosas saudações. (As) MÁRCIO THOMAZ BASTOS – Ministro de Estado da Justiça”.
O desconhecimento alegado por V. Exª. é seríssimo, pois demonstra das duas, uma: ou o documento que temos em mãos não é da lavra do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos ou, o ministro da Justiça, não foi exato ao afirmar que celebrara acordo com a equipe econômica do governo, da qual o Ministro do Planejamento é um dos expoentes.
Como não podemos acreditar que o Senhor ministro da Justiça assinaria um documento oficial eivado de afirmações inverídicas, restaria a hipótese de alguém, se fazendo passar por ele, enganara todo o Departamento de Polícia Federal, começando pelo senhor Diretor-Geral, em Brasília, passando por todas as unidades do DPF, do Oiapoque ao Chuí.
Tal improvável fato, se confirmado, dará certamente azo aos procedimentos investigatórios cabíveis.
Assim, tomamos a liberdade de encaminhar cópia do famoso documento de 02/02/06, bem como daquele nele mencionado, de 11/07/05, para que V. Exª., tomando conhecimento de ambos, informe se um documento oficial, lavrado em papel timbrado com o Brasão da República e assinado por um Ministro de Estado, tem ou não o condão de comprometer o Governo Federal com os termos nele inseridos.
Por fim, informamos que as declarações de V. Exª. causaram grande instabilidade e acirraram os ânimos dos policiais federais, prejudicando o calendário sugerido pelas entidades classistas de âmbito nacional com a previsão de novo ato público somente no dia 18 de abril, fazendo com que diversos Estados da Federação, por suas lideranças locais, entendessem por repudiá-las já, antecipando as manifestações para a próxima terça-feira, dia 03/04.
Respeitosamente,
SANDRO TORRES AVELAR Presidente da ADPF
Da assessoria de Imprensa ADPF
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