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Polícia prende falso médico em Aveiro

Polícia prende falso médico em Aveiro

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
26/07/2008 às 16h02 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
No último dia 22, uma equipe da Polícia Civil, sob o comando do delegado Djalma Pereira, prendeu o elemento Manoel Anacleto de Castro, 48 anos, natural de Goiânia, que se passava por médico no município de Aveiro, no Oeste do Pará. Em um consultório, montado em sua própria residência, ele atendia pacientes e receitava medicamentos. Da prisão do falso médico participaram ainda policiais militares.

Foi a partir de uma ocorrência feita pela secretária de Saúde do município, Cristina Chagas, que desconfiou do golpista quando este se apresentou na Secretaria oferecendo seus 'serviços', tendo sido indicado, segundo ele, pelo médico Sérgio Monteiro, de Santarém. Cristina conversou com Manoel e disse que a Secretaria pretendia contratar um médico e pediu que ele providenciasse a documentação para fazer sua contratação.
O que chamou a atenção da secretária foi o fato de Manoel ter se recusado entregar a documentação exigida. À secretária Cristina Chagas, o golpista mostrou documentos onde o médico Sérgio Monteiro o encaminhava a um dentista da cidade de Aveiro, que por sua vez, o encaminhou a Secretaria de Saúde do município.

Por causa dessa demora, Cristina Chagas suspeitou do elemento, que naquela altura já estava prestando serviços no Pronto Socorro, como pediatra. A documentação exigida pela secretária era importante para fazer a contratação do profissional, já que havia certa urgência. Porém, todos os pedidos feitos por Cristina Chagas não surtiram efeitos e ela então decidiu afastá-lo definitivamente. Manoel alegava que os documentos estavam em Monte Dourado e que por isso não fez a apresentação.

O caso então chegou ao conhe-cimento da Polícia Civil, que imediatamente iniciou uma investigação e descobriu se tratar de um farsante. Em contato com o Conselho Regional de Medicina, em Santarém, o delegado Djalma Pereira obteve informações de que o nome de Manoel não constava em seus re-gistros em nenhum estado brasileiro.

Manoel Anacleto usava dois registros falsos do CRM em nome de médicos paraenses. Diante disso, e também com base numa denúncia feita pelo enfermeiro Leonardo, vítima de ameaça por parte do falso médico, a polícia efetuou sua prisão em flagrante, quando este exercia ilegalmente a medicina no seu consultório particular, montado na Travessa João Paulo II, canto com a Brigadeiro Haroldo Veloso. Anacleto foi flagrado inclusive com diplomas falsos, instrumentos usados na medicina como estetoscópios e outros aparelhos usados por profissionais e vários medicamentos.

Além disso, ele também usava um carimbo com o registro do CRM. "Não temos nenhuma duvida quanto à ilegalidade do exercício da profissão do elemento, como também da falsidade ideológica que é um crime mais grave previsto com pena de reclusão", disse o delegado.

Manoel vai responder processo por exercício ilegal da medicina, falsidade ideológica e estelionato. Ele foi levado para Itaituba, onde foi mandado para a casa penal daquele município.

À reportagem, mesmo diante de todas as provas e acusações, o falsário jurou ser médico, formado em 1991 pela Universidade Católica do Paraguai. "O meu CRM estava vencido e eu não tive condições de viajar a Belém para me recadastrar e regularizar a minha situação junto o Conselho", alegou cinicamente.

Manoel contou que trabalhou em várias cidades como Monte Dourado, Curuá, Prainha, Uruará e Almerim, onde exerceu suas funções normalmente. "Aqui foi uma surpresa, porque já tenho 20 anos de profissão, nunca tinha me ocorrido um fato como esse, pra mim, no meu entender, trata-se de perseguição. Porque aqui eu fiz um bom trabalho, não tem nenhuma queixa de paciente, não ouve queixa crime contra a minha pessoa. Eu acredito que houve perseguição. Isso não vai me abalar a minha estrutura psicológica, porque eu não sou um bandido não sou um criminoso. Como disse me formei na Universidade Católica do Paraguai, uma das melhores do país. Trabalho desde 1994 e me considero um bom médico. Como fica a minha situação? Vou responder pela aquilo que estiver errado e vou procurar concertar o meu erro e depois vou continuar trabalhando normalmente", concluiu.
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