26/07/2008 às 16h03Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
O município de Juruti se prepara para uma das mais emocionantes batalhas da Amazônia. As cores das tribos Mundurukus e Muirapinima já enchem a cidade, que já está em contagem regressiva para a 14ª edição do Festival das Tribos Indígenas (Festribal), que será realizado entre os dias 31 de Julho e 2 de agosto. A atração especial esse ano é o show da Banda Calypso, na noite de abertura.
A paixão pelas tribos está em todos os lugares: nas roupas, nos acessórios, nos barcos e até nas fachadas das casas, onde balançam bandeiras nas cores azul e vermelho dos Muirapinimas e amarelo e vermelho dos Mundurukus. A tirar pelos ensaios, todas as noites, das 21 horas às 23h30, este ano a disputa promete ser acirrada.
O Festival das Tribos Indígenas de Juruti ocorre sempre no último final de semana do mês de Julho, em uma grande arena em forma de canoa, onde um espetáculo a céu aberto retrata a cultura indígena em forma de músicas, artes cênicas, tribos coreografadas, alegorias, rituais e os chamados itens individuais, que são a porta-estandarte, a guardiã tribal, a índia guerreira, o pajé e o tuchaua. Cada tribo leva em média três horas para se apresentar, sendo que o tempo de permanência de cada uma no Tribódromo também conta pontos na hora da avaliação. A vencedora do Festribal 2007 foi a Tribo Mundurukus, com uma dife-rença de apenas cinco décimos sobre a adversária, a Tribo Muirapinima.
Por meio da Lei 7.112/2008, o Festribal foi reconhecido em 2008 como patrimônio artístico e cultural do Pará. Portanto, a partir dessa iniciativa, o festival passa a fazer parte do calendário oficial de eventos do Estado. Isso também significa que o Governo do Estado passa a patrocinar anualmente a festa, além da Prefeitura de Juruti e da Alcoa, que pelo sexto ano consecutivo investe no Festribal, destinando recursos diretamente para as tribos.
No ano passado, de acordo com dados oficiais da Secretaria Municipal de Cultura, cerca de 30 mil pessoas prestigiaram as três noites da festa e puderam ver a apresentação de grandes estruturas cênicas, com efeitos de luz e som, e alegorias cheias de cor e movimento. Tudo isso é executado por uma média de 600 em cada tribo, desde a produção até a apresentação.
Ney Juruti, vice-presidente da Tribo Muirapinima antecipa o tema que será trabalhado esse ano: "A Amazônia não pode esperar". Ele conta que, ao defender essa temática, a tribo faz um alerta pela preservação da biodiversidade. De acordo com o presidente da Tribo Mundurukus, Júnior Batista, pelo segundo ano consecutivo o tema "Amazônia: o templário da vida" dará o tom da apresentação. O sub-tema em 2007 foi "Amazônia: cunhantã dos olhos do mundo". Este ano, como estratégia para vencer o festival, os Mundurukus só revelarão a temática no momento da apresentação.
HERANÇA INDÍGENA - A apresentação de figuras saídas do imaginário caboclo enche os olhos dos espectadores do Festribal. A performance do ritual é considerada um dos momentos mais emocionantes da apresentação de cada tribo. São imagens, movimentos, sons e cores que remetem à herança indígena guardada pelo povo de Juruti. E para conseguir nota 10 dos jurados, Mundurukus e Muirapinimas contam cada uma com a apresentação de um pajé e suas tribos indígenas, que homenageiam tribos amazônicas.
O pajé Mundurukus é representado por Francineuber Batista, de 25 anos. Segundo ele, o pajé é o principal item dentro do ritual, que normalmente traz uma história indígena a ser resolvia. Depois da participação do pajé dentro dessa história, o personagem sobe no tablado e passa a ser avaliado pelos jurados como item individual. "A gente ensaia três vezes, quatro vezes na semana, tudo para defender a tribo. O objetivo é ira pra arena, fazer uma boa apresentação e sair de lá vitorioso", comenta Francineuber.
Já a tribo Muirapinima aposta em Alisson Lima, de 23 anos, que já ocupa o cargo de pajé há nove festivais. Alisson também compõe a comissão de arte e é coreógrafo da tribo, o que segundo ele, é uma missão que exige muito. "Os preparativos começam logo quando termina o festival anterior. Desde então, já venho me preparando com as coreografias, com a história, com o enredo de todo o festival. Esse ano, o público pode esperar um ritual inovador", antecipa o pajé azul e vermelho.
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