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Jovens fazem apologia ao nazismo em Santarém

Jovens fazem apologia ao nazismo em Santarém

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
26/07/2008 às 16h06 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Jovens fazem apologia ao nazismo em Santarém
Um perigo que parecia distante da realidade de Santarém tornou-se uma ameaça à sociedade santarena. Depois da divulgação de um vídeo pornográfico na internet, que mostra um grupo de rapazes praticando sexo com menores, descobriu-se que estes jovens são membros de comunidades nazistas, que disseminam o ódio e o preconceito. Em conversa com alguns desses rapazes, eles dizem, sem medo, que o grupo imita a truculência nazista e promove movimentos preconceituosos no município e, em nome da discriminação, agridem e violentam adolescentes.

No Brasil, através de sites de relacionamento como o Orkut, surge a cada dia grupos de jovens que cultuam o nazismo e fazem referência à violência.

Na semana passada, Wellington Ferrari foi apresentado na Delegacia de Crimes Contra a Integridade da Mulher (DCCIM) para prestar depoimento sobre a possível prática de pedofilia e exploração sexual de menor. No vídeo, que chegou ao conhecimento da polícia, ele e outros amigos aparecem fazendo sexo com quatro menores. A filmagem foi feita em um motel da cidade. O vídeo foi colocado pelo próprio rapaz na internet e chegou aos celulares de várias pessoas, causando constrangimento às famílias das adolescentes.

Segundo uma fonte da Polícia Civil, há uma investigação em andamento que visa a identificação de pessoas que atuam na exploração sexual de menores. A polícia não tem dúvida que jovens com certo nível cultural têm influência junto às adolescentes, geralmente meninas pobres, menores de 17 anos, que se deixam envolver pelo dinheiro ofe-recido por esses elementos. Casos como o de Ferrari, que abusou das menores não pode continuar impune.

Outros vídeos colocados por ele no Youtube, feitos no interior de uma farmácia e no veículo do rapaz, mostram meninas com vários rapazes, praticando atos libidinosos.
A delegada da Mulher, Márcia Rabelo, preside o inquérito policial sobre este episódio e disse que a polícia está tomando certo cuidado para concluir o caso.
Segundo ela, independentemente de a menor de 13 anos afirmar que foi para o motel por vontade própria, a filmagem obtida pela polícia serve como prova do crime. O próprio acusado que aparece no vídeo fazendo sexo oral com a criança. "Isso se caracteriza um atentado violento ao pudor", disse a delegada, informando que vítima e acusado apresentam versões controversas do caso. Ele nega ter mantido relação sexual com a menor, que por sua vez, afirma que fez sexo com Ferrari.

Márcia Rabelo explica que neste caso, a menor é tratada como vítima de estupro e atentado ao pudor, independente de qualquer situação que a levou praticar o ato.
A outra adolescente, de 15 anos, a polícia aguarda a comprovação e denúncia dos pais, o que ainda não aconteceu. "Mas se ela chegar à delegacia e disser que realmente manteve a relação sexual de livre e espontânea vontade sem nenhum tipo de crime ou pais também não levarem adiante a denúncia, a polícia vai insistir na tese de corrupção de menores. Vamos esclarecer todos os pontos obscuros para identificar e punir os responsáveis por essa prática", disse Márcia Rabelo.

A delegada informou que os rapazes que aparecem no vídeo já foram identificados. Um maior e um menor. O outro envolvido, também já identificado, está em Belém, mas seu advogado disse que irá apresentá-lo à polícia, caso isso não aconteça será considerado foragido. Márcia pretende, na próxima semana, fazer a acareação entre todos os envolvidos.

O que diz o ECA - O artigo 240 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê que é crime 'produzir ou dirigir representação teatral, televisiva, cinematográfica, atividade fotográfica ou de qualquer outro meio visual, utilizando-se de criança ou adolescente em cena pornográfica, de sexo explícito ou vexatória'.

A pena é reclusão, de dois a seis anos, e multa. O Código Penal prevê em seu artigo 218 o crime de corrupção de menores: 'Corromper ou facilitar a corrupção de pessoa maior de 14 e menor de 18 anos, com ela praticando ato de libidinagem, ou induzindo-a a praticá-lo ou presenciá-lo'. A pena prevista é de reclusão, de um a quatro anos.
Apologia ao nazismo - Numa investigação detalhada sobre o assunto, a reportagem do Jornal A Cidade descobriu, através do Orkut, na página mantida por Wellington Ferrari, que ele faz apologia ao nazismo e também exibe fotos de menores seminuas.

Além disso, também há fotos em que rapazes fazem demonstração com armas e gestos obscenos. Em algumas fotos, Ferrari aparece com símbolos do nazismo desenhado no próprio corpo.

A pena para quem divulga material de conteúdo neonazista é de dois a cinco anos. Ela existe desde 1997, quando foi alterada a lei contra o racismo, incluindo como crime a divulgação da ideologia e de símbolos nazistas.

Em um site de relacionamentos na internet, os jovens mantêm imagens e fotos que misturam os símbolos de clubes de futebol e do nazismo. "Eles seguem isso como uma religião, uma filosofia de vida", afirma nossa fonte.

Os jovens têm hábitos parecidos e freqüentam bares e casas noturnas da cidade. O perigo aumenta quando anoitece e as ruas ficam quase vazias. Basta um encontro para explodirem atos de selvageria e vandalismo. Nos locais onde se reúnem para ingerir bebidas alcoólicas e consumirem drogas, esses indivíduos também se envolvem em brigas. Muitos desses elementos são praticantes de jiu-jítsu. Na maioria dos casos, os grupos são formados por jovens que têm entre 14 e 26 anos e, geralmente, andam armados.

O problema, segundo a polícia, é que os grupos radicais tentam se impor pela força. "Existe um culto à violência nas gangues", afirma um dono de clube da cidade, que sempre tem problemas com esses jovens.

Aos pais, uma pergunta que continua sem resposta: você sabe com quem seu filho anda?
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