Sábado, 07 de Novembro de 2026
27°C 38°C
Santarém, PA
Publicidade
Anúncio

Idosos são esquecidos no asilo da cidade

Idosos são esquecidos no asilo da cidade

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
02/08/2008 às 13h48 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Pessoas que fizeram muito por nossas vidas, e pelo nosso país, hoje são quase esquecidas por todos nós. Segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população com mais de 60 anos de idade é de 14,5 milhões de brasileiros. Se hoje a terceira idade representa 9% das pessoas no Brasil, estimativas apontam que até 2020 eles serão 12 % da população brasileira. E em 2050 serão 2 bilhões de idosos em todo mundo, sendo que 80% serão oriundos dos países em desenvolvimento.

O gasto com remédios fazem a pequena aposentadoria ficar ainda menor, a frágil situação financeira e os casos onde a doença avança em velocidade mais rápida que o lúcido raciocínio fazem desta parcela da população tão dependente de auxílio de terceiros quanto um recém-nascido. Com papel fundamental na vida de parte destes idosos, os asilos acabam se tornando suas casas, sejam elas abandonadas ou não. Muitos não sabem nem onde estão seus fami-liares e precisam contar com o auxílio destes abrigos, que trabalham de maneira voluntária para realizar atividades básicas como comer e ir ao banheiro.

Foi pensando em reverter este quadro de abandono que surgiu há 46 anos, o Asilo São Vicente de Paula em Santarém. Entidade criada em 1962 pela Paróquia Nossa Senhora da Conceição, onde no comando está o padre José Ronaldo. A instituição tem capacidade para abrigar 39 idosos e conta com o apoio de vários colaboradores, como a Receita Federal, Justiça, Prefeitura, Polícia Federal, um grupo de empresários sem falar na população que ajuda muito na manutenção da instituição doando cestas básicas, remédios, roupas, etc.

Como diversos setores da nossa sociedade, os idosos sofrem com a falta de cuidados e abandono. Não é raro abrir o jornal e se deparar com notícias de maus tratos, situações humilhantes e o total descaso com o que prevê o estatuto do idoso (Lei 10.741 criada em proteção da terceira idade, em vigor desde outubro de 2003). Entre as garantias do estatuto estão o direito às oportunidades e facilidades para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espi-ritual e social, direito a moradia digna, prioridades no transporte público e abrigo com instalações físicas em condições adequadas de habitabilidade, higiene, salubridade e segurança.

Muitos idosos que dão entrada no asilo são vítimas do abandono e falta de cuidado da própria família. Segundo Cleidivaldo Silva Nascimento, secretário do asilo, de cada 30 visitas que o asilo recebe diariamente, apenas duas são de familiares. '"Contamos com 27 idosos hoje e apenas cinco recebem visitas de suas famílias", disse indignado.
Ainda segundo Cleidivaldo, a instituição abriga uma idosa, uma senhora de 84 anos, que morava no quintal de sua casa e era tratada como cachorro. "Hoje ela está no asilo, não é aposentada, mas já entramos com o processo para retirar seus documentos e estamos trabalhando junto aos médicos para que essa senhora se recupere totalmente", comentou.

Cleidivaldo informa que o asilo não trabalha por denúncias, mas sempre que recebe alguma, eles se deslocam até o endereço, verificam se a denúncia é verdadeira e, se for possível, levam o para o asilo. "Quando há denúncias pegamos o endereço, vamos ate o local e verificamos se é verdade o relato, então entramos com o processo e damos assistência a esse idoso", esclareceu Cleidivaldo.

Edgar Pereira de Carvalho, aposentado, mora no asilo há mais de 11 anos e nunca se acostumou. "Aqui é bom, mas eu quero ir embora para perto dos meus filhos", pede o homem.

Edgar não tem família em Santarém, seus filhos moram em Curralinho, cidade perto de Belém. O aposentado veio para o município a trabalho, mas com o passar do tempo se habituou à cidade e resolveu morar. Com a morte de sua esposa, de seu pai e outros acontecimentos lamentáveis em sua vida, o aposentado descontente e sem ninguém procurou ajuda no asilo.

"Tenho fé em Deus que vou a Curralinho, ver os meus filhinhos e toda aquela gente boa, que deixei para trás", disse emocionado.

Casos como do aposentado Edgar é freqüente acontecer. A maioria dos que deram entrada no asilo e mora lá ate hoje, nunca recebeu visitas dos parentes. Diariamente eles são visitados por pessoas desconhecidas, que buscam levar um pouco de carinho e afeto àqueles que tanto ajudaram na educação dos filhos e netos. "Muitos visitam o asilo, mas a maior parte é de pessoas, que nunca os viram, mas dão total assistência e fazem companhia a eles", comentou Clenildo.

O asilo São Vicente de Paula espera contar com a visita e colaboração de todos que se sintam a vontade em fazer parte desse projeto social. Os interessados podem ligar para o telefone (093)3522-1367 ou comparecer diretamente à instituição, localizada na Avenida Barão do Rio Branco nº 704.

"Vou esperar você aqui de novo, é bom conversar, nos sentimos muito sozinhos e sem ninguém aqui", disse seu Edgar após a entrevista.
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Lenium - Criar site de notícias