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Perigo da internet presente em Santarém

Perigo da internet presente em Santarém

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
20/08/2008 às 14h14 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Joab Ferreira

A rede mundial de computadores torna-se maior e mais evoluída a cada dia. Muitos são os avanços que ela proporciona às pessoas. Através dela é possível fazer diversas coisas sem sair de casa. Podem-se pagar contas, fazer compras, pesquisar diversos assuntos e até se comunicar com pessoas do mundo inteiro, e aí está o grande problema desse meio.

Os sites de relacionamentos sempre oferecem uma nova atração aos usuários. Em sites como o Orkut, é possível encontrar fotos e assistir vídeos de pessoas que nem se conhece e ainda se comunicar com ela através de mensagens virtuais. Para muitos mal intencionados, esse é um prato cheio para se aproveitar de meninas que ainda não saíram da adolescência.

Os pais sempre devem ter um cuidado especial na vida social dos filhos. Recomenda-se não colocar o computador em lugares que dê a sensação de privacidade aos menores, como no quarto deles. Se não possui internet em casa deve tomar cuidado com a ida dos filhos em cybers. Ficar sempre alerta com as amizades. Acompanhar a vida escolar. Observar se há mudanças no comportamento deles e, se for notado alguma mudança brusca, procurar saber o que aconteceu e tomar as medidas necessárias.

“Se o pai tiver autoridade com o filho e se os princípios familiares estiverem conceituados dentro da casa, com certeza a situação mudaria. Os pais têm que observar o filho, perceber a situação, acompanhar o desenvolvimento escolar e social, aí ele vai saber o que está acontecendo com o filho”, aconselha o coordenador do Conselho Tutelar, Valtemir Santana.

A adolescência é uma fase que precisa de atenções especiais. “O adolescente está aflorando sua vida sexual. É um momento de muita expectativa para ele. Muitas vezes é induzido por uma pessoa de maior”, fala o coordenador. Para ele, muitas vezes a causa de acontecerem fatos envolvendo menores é responsabilidade dos pais. “O que leva a essa situação é família desestruturada. O maior responsável pelos filhos são os pais”, finaliza.

Em Santarém, dois casos envolvendo a internet deixaram a população preocupada. Ambos aconteceram no mês de Julho. No primeiro, foi feito um vídeo em que apareciam três rapazes maiores de idade tendo relações com duas adolescentes – uma menor de 14 anos.

Os acusados também serão indiciados por terem levado um garoto menor de idade para o estabelecimento em que ocorreram as gravações. O menor é considerado vítima porque foi levado ao estabelecimento pelos outros rapazes e consumiu bebida alcoólica.

Em nenhum momento das investigações os envolvidos fugiram e nem atrapalharam o andamento do processo. “Eles colaboraram, nunca faltaram em nenhum chamado. O que deu problema foi o pai da menor de 15 anos que até hoje não apresentou a adolescente”, diz a delegada da Mulher, Márcia Rabelo.

Esse fato prejudicou o andamento da investigação e foi preciso a prorrogação do prazo. A outra menor envolvida ajudaria a esclarecer o que realmente aconteceu no dia, mas os autores do delito já confessaram e serão indiciados criminalmente por atentado violento ao pudor e por estupro com pena de 6 a 10 anos de prisão. “Cada um vai responder de acordo com a sua responsabilidade”, afirma Márcia Rabelo.

A delegada comenta que a intenção dos jovens que fazem práticas similares a essa é de demonstrar poder. “O que a gente observa é um exibicionismo. O ato de jovens quererem mostrar poder para outros jovens e acabam perdendo as estribeiras. Pegam uma filmagem degradante como esta e fazem prova contra eles mesmos”, explica.

O outro caso envolvendo adolescente em filmagens pornográficas chegou até a Delegacia da Mulher na quinta-feira passada(14). Quem fez a denúncia foi a avó da vítima. A menor participou da gravação em um igarapé, ainda no mês de Julho. Uma tia da menor viu o vídeo e a reconheceu. Em seguida mostrou aos pais que alegaram não ter nenhum conhecimento sobre o episódio.

Uma policial conseguiu parte do vídeo. No entanto, na gravação conseguida, a menor não parece ter sido estuprada. Segundo a delegada, não há como comprovar se houve estupro devido a imagem não apresentar nenhuma cena contendo o abuso sexual. “A vítima é maior de 14 anos e não temos como provar se ela tomou algum tipo de bebida alcoólica, porque ela estava com muita liberdade com os rapazes. Também não se sabe se o sexo foi violento, coisa que não aparentava no vídeo. Mas não quer dizer que não houve crime”, declara Márcia Rabelo.

Na filmagem os rapazes estavam em uma aparente despreocupação. Segundo a delegada, a menor alega ter tido relações com o namorado e depois de tomar uma bebida alcoólica não se recorda do que aconteceu. A adolescente fez todos os exames solicitados e passará por avaliação da assistente social.

O caso está registrado e a menor foi convidada a prestar depoimento hoje (19). Os genitores já foram ouvidos e o vídeo está em processo de digitalização para que se torne prova do inquérito. Se ao longo do processo se constatar que a menor foi drogada, os responsáveis pelo ato poderão ser indiciados por estupro.

Os envolvidos nesse episódio também podem ser indiciados por corrupção de menor. O fato dos rapazes induzirem a menina a atos de libidinagem dá subsídios para tal acusação. Outro crime pelo qual responderão será a divulgação do vídeo da menor, tanto na internet quanto nos celulares.

A delegada afirma que a adolescente soube apontar o nome de um dos envolvidos que será procurado e aconselha a eles que se apresentem o mais rápido possível. “Começaremos a ir atrás desses rapazes e com certeza um vai entregar o outro”. No total cinco rapazes participaram dos atos de devassidão.

Márcia Rabelo fala que está sendo difícil para a vítima. Muitas pessoas que assistem aos vídeos pré-julga a menina e isto dificulta o andamento da vida para menor. “É um fato que está acontecendo e a população não tem o direito de desprezar as razões da menor sem saber a verdade. As pessoas devem ter consciência de que poderia acontecer na família de qualquer um”, finaliza.

Os vídeos apresentados nos dois casos foram muito eficazes na comprovação de quem estava participando de ambos os atos. Esses casos só chegaram ao conhecimento das autoridades devido a divulgação realizada na internet. Muitos outros acontecem, mas não são denunciados pelas famílias.
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