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Sairé: Buscas dos mastros marca abertura do festival

Sairé: Buscas dos mastros marca abertura do festival

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
06/09/2008 às 09h16 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Neste sábado, os moradores da vila de Alter do Chão seguem em procissão pelas ruas da comunidade até a Ponta de Guripa, na praia do Cajueiro, para a tradicional busca dos mastros. Guiados pela Saraipora, os cami-nhantes cantam ladainhas anunciando o início de mais um Sairé. ‘Juiz’, ‘mordomos’ e ‘procuradores’ são os principais personagens deste primeiro ato da mais importante festa do povo Borari. O povo da vila é o principal ator desta encenação secular e as demais pessoas (autoridades, turistas e convidados) são meras coadjuvantes à comemoração ao Divino Espírito Santo.

O instrumento Sairé, que simboliza a Santíssima Trindade, é levado à frente pela mulher que representa a Saraipora, assim como a Coroa do Divino é conduzida pela juíza da festa. A procissão também é acompanhada pela Banda Espanta Cão. Os bastões adornados com fitas coloridas são conduzidos pelos mordomos. Tudo em perfeita harmonia.

Quando o cortejo chega a Ponta da Guripa, os mastros são retirados e levados de volta ao barracão, na Praça do Sairé. Homens e mulheres seguem os mesmos rituais.
Nessa disputa, vale a dedicação de cada equipe. Os troncos, já preparados, serão usados na Festa do Mastro. Na chegada dos grupos à praça, fogos explodem no ar em demonstração de contagiante alegria.

A procissão significa a recepção que era realizada aos portugueses no tempo da colonização, conduzindo o Sairé como símbolo da adesão ao catolicismo.

Na chegada à Praça do Sairé, os mastros passam a representar o poder que se instaura na Vila durante o período da Festa. Lá, os mastros passam a ser adornados com frutas, produtos agrícolas, uma bandeirinha vermelha e outras brancas para distinguir o mastro do juiz e da juíza, além de uma garrafa de cachaça.

Depois do ato cívico preparado pela comunidade, é realizada a fincada dos mastros. Homens e mu-lheres ficam responsáveis por cada um dos mastros, que são colocados em um espaço definido em frente ao barracão. O instrumento Sairé é colocado dentro do barracão, onde sai apenas para as procissões diárias.

Encerrada a programação de abertura oficial, o grupo cerimonial passa a reunir-se todos os dias para a parte religiosa da festa. Toda noite, de quinta a domingo, o grupo realiza um breve ritual em volta dos mastros, em procissão com a mesma formação da procissão inicial. A procissão contorna os mastros e segue para o barracão do Sairé, onde são cantadas as ladainhas por um grupo de senhoras e respondidas por todos os presentes. Depois são entoados hinos em louvor ao Espírito Santo. Com o fim dessa parte religiosa, os foliões passam a se juntar ao povo em geral para as festas que seguem durante toda à noite, quando são organizadas as representações de grupos musicais de Santarém e de outras cidades do país.
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