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Lendas Amazônicas: Como surgiram as Cobra-Norato e Cobra-Caninana

Lendas Amazônicas: Como surgiram as Cobra-Norato e Cobra-Caninana

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
12/11/2013 às 14h19 Atualizada em 12/11/2013 às 14h19
Lendas Amazônicas: Como surgiram as Cobra-Norato e Cobra-Caninana


Semanas depois, durante uma madrugada chuvosa, a índia Mapiri veio a serviço de parto sem mesmo ter completado os nove meses de gestação, e qual foi seu susto juntamente com o marido, pois sob a luz de uma poronga a querosene, notaram que os filhos nascidos não tinham formas humanas, mas sim formas de duas serpentes escuras e escamosas com algumas malhas em seus dorsos. Depois do susto, veio à vergonha e o temor de como a comunidade reagiria diante daquele fato estranho, então o pai pegou um alguidar de barro com um pouco de água e colocou as duas pequenas cobras dentro enquanto combinava com a mulher o que fariam com aqueles estranhos seres. Várias situações imaginaram, inclusive até matá-las e enterrá-las no quintal, porém veio o consenso do casal e resolveram soltá-las num capinzal do Lago Pauxis, próximo a sua choupana. E tudo tinha de ser feito ainda de madrugada sob o manto da noite.

Então o pai fez essa tarefa discretamente para que ninguém da comunidade soubesse, enquanto se livravam daquele caso estranhíssimo e constrangedor. Dias depois a índia tapuia mãe das crianças, digo, das cobrinhas, por curiosidade foi até ao Lago Pauxis para ver o que tinha acontecidos com aqueles pequenos seres, observou ao entorno e nada viu, então resolveu adentrar no aningal a margem do lago com água a altura do peito para tomar banho, foi quando olhou por baixo de uma rama e vislumbrou as duas cobras sobre a água nadando em sua direção, ficou paralisada observando aqueles seres que passaram na sua ilharga e se aproximaram de seus seios, que apesar de não serem mamíferos, mas pelo instinto de mãe levantou a blusa e viu seus dois “filhos-cobras” mamarem um em cada seio. A noite teve um sonho onde uma velha índia dizia-lhe que seus filhos eram frutos de um “encante amazônico”, e que um dia quando completassem 18 anos, poderiam ser “desencantados” por alguém de muita coragem...

Depois desse fato, a índia passou ir todos os dias à tardinha para amamentar discretamente aqueles pequenos seres, mais tarde encarando a dura realidade, aceitou o casal de cobras como sendo seus filhos, e ao macho deu o nome de Cobra-Norato e a fêmea chamou-lhe de Cobra-Caninana. A vizinhança ainda questionou-os sobre a gravidez, mas eles conseguiram convencê-los de que tudo foi um mal entendido de inchaço abdominal desfeito com chás da erva “pau barbado” muito comum naquela região. Anos mais tarde as cobras foram crescendo e foi preciso que o pai pescasse grandes peixes que trazia para alimentar seus “filhos” durante algum tempo. Mas como as cobras cresciam assustadoramente e o pai vendo que seria difícil continuar escondendo-as naquele lago muito visitado pela comunidade, resolveu por gestos e sussurros convencê-los a partirem para um rio maior ou o próprio rio Amazonas que por ser caudaloso lhes seria o lar perfeito com grandes espaços e abundância de alimentos...

Foi à última vez que os pais viram seus “filhos-cobras” nadando rumo ao grande rio-mar. Depois de algum tempo passaram a ouvir apenas comentários de pescadores e navegadores de que teriam cruzado e de até terem sidos perseguidos por duas cobras-grandes nas margens de lagos próximo ao rio Amazonas. Teve gente afirmando que pela voracidade das duas cobras-grandes na disputa por seus alimentos na mesma área, presenciaram numa noite de grande tempestade, uma terrível briga entre os dois irmãos-cobras que levantavam ondas gigantescas de até quatro metros de altura, além de ter gerado um grande redemoinho no reboliço das duas cobras enroscadas na luta.

Depois desse grande embate, a Cobra-Caninana saindo como perdedora, migrou para o Estado do Amazonas pelo rio de mesmo nome, ficando apenas a Cobra-Norato nas proximidades da cidade de Óbidos. Até hoje pescadores dizem cruzar nas noites de luar, com duas luzes riscando sobre as águas em alta velocidade e deduzem ser os olhos da Cobra-Norato na caça de cardumes de peixes para seu alimento. Então, eles fogem o mais rápido possível desse confronto, com medo de serem devorados com canoa e tudo... No próximo episódio alguém tentará “desencantar” a Cobra-Norato em troca de riquezas do fundo dos rios, mas possivelmente se dará mal...
Imagens ilustrativas da internet

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